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A cultura de beber com colegas (Nomikai) em declínio

A cultura de beber com colegas (Nomikai) em declínio retrata como as confraternizações após o expediente no Japão perderam o caráter quase obrigatório de outrora, sem desaparecer por completo. Se você trabalha em uma empresa japonesa, convites ainda farão parte da sua rotina, e entender quando comparecer, como recusar com polidez e quais alternativas substituem esse ritual tornou-se mais importante do que saber consumir bebidas alcoólicas.12

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Procedimentos, taxas e diretrizes podem mudar. Confirme as informações vigentes junto ao Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar (MHLW).

Visão geral​

Um 飲み会 (nomikai, "encontro para beber") é um evento social após o trabalho no qual colegas comem e bebem juntos, geralmente em um 居酒屋 (izakaya, "bar tradicional japonês") ou restaurante fora do ambiente hierárquico do escritório.12 O neologismo derivado 飲みニケーション (nominikeshon, "comunicação por meio da bebida") sintetiza a teoria por trás da prática: compartilhar bebidas relaxaria as barreiras formais para que novatos e veteranos dialogassem com maior franqueza.12

Essa ideia ainda sobrevive, mas a prática cotidiana diminuiu consideravelmente. A realização de festas corporativas de fim de ano e de ano-novo caiu de 78,4% em 2019 para 59,6% em 2024 (dados de 2024; confirme as taxas atuais com a Tokyo Shoko Research).12 Em uma pesquisa de 2024 da Nippon Life, 56,4% dos trabalhadores classificaram o nominication como desnecessário (dados de 2024), o percentual mais alto já registrado nessa série histórica.2 Contudo, quando um encontro é efetivamente organizado, os funcionários convidados comparecem em taxas expressivas, alcançando em média 87,9% de presença (dados de 2025).2

Essas convenções têm abrangência nacional. O que varia não é o distrito ou a nacionalidade, mas o porte do empregador, o setor de atuação e o departamento; leia, portanto, cada constatação abaixo como uma tendência geral nacional sujeita a exceções pontuais em cada empresa.

Para que serviam os nomikai​

Os encontros corporativos para beber consolidaram-se como ferramenta de comunicação interpessoal durante o período de intenso crescimento econômico nos anos 1960, e a palavra nominication surgiu na mídia pela primeira vez na década de 1980.1 No auge dessa cultura, entre os anos 1970 e 1990, estudos históricos descrevem os nomikai como eventos praticamente obrigatórios, nos quais a presença era diretamente associada à lealdade corporativa e ao espírito de equipe.3

O ambiente pós-expediente​

As ocasiões mais tradicionais são o 忘年会 (bonenkai, "festa para esquecer as dificuldades do ano"), o 新年会 (shinnenkai, "festa de ano-novo"), o 歓迎会 (kangeikai, "festa de boas-vindas a novos membros"), o 送別会 (sobetsukai, "festa de despedida de quem deixa a equipe"), as comemorações pelo término de projetos e as reuniões espontâneas de equipe.12 Os participantes reúnem-se em um izakaya ou restaurante, às vezes no balcão de um estabelecimento local, e a noite frequentemente se estende para uma 二次会 (nijikai, "saideira em um segundo local") e ocasionalmente uma 三次会 (sanjikai, "continuação em um terceiro bar").23

O responsável pela organização assume o papel de 幹事 (kanji, "organizador encarregado de reservar o local e arrecadar o pagamento").2 Os eventos têm início com um breve discurso e um brinde coletivo com a saudação 乾杯 (kanpai, "saúde, brinde inicial"), e ninguém consome comida ou bebida antes dessa saudação formal.23

A função de comunicação​

O objetivo declarado é viabilizar conversas informais que rompam as barreiras hierárquicas. Em um ambiente de trabalho focado na coletividade e na harmonia de grupo, o izakaya oferece o que a sala de reuniões formal veda: os membros mais novos podem dirigir-se diretamente aos superiores, assuntos pessoais vêm à tona e os laços profissionais se estreitam.12 As diretrizes oficiais de viagens de negócios explicam essa mesma lógica em termos gerais, destacando que o meio corporativo japonês é hierárquico e baseado em relacionamentos, e que as práticas sociais sinalizam compromisso de longo prazo.4

O conceito relaciona-se diretamente ao par 建前 (tatemae, "comportamento público esperado e formal") versus 本音 (honne, "verdadeiros sentimentos e opiniões íntimas").2 O nomikai era tradicionalmente enxergado como o espaço onde essa disparidade se atenuava. A hierarquia, porém, não desaparece totalmente: os membros mais novos servem as bebidas aos veteranos primeiro, frequentemente usando as duas mãos, e mantêm a borda do próprio copo ligeiramente mais baixa do que a do superior ao brindar.12

O declínio após 2020​

A pandemia paralisou as reuniões de nomikai durante a maior parte de 2020 e 2021. Após a suspensão das restrições sanitárias, muitas empresas não retomaram os eventos no ritmo anterior, apontando baixa demanda e relutância dos próprios trabalhadores.13 O percentual de celebrações de fim de ano e de ano-novo permaneceu quase 20 pontos percentuais abaixo dos níveis pré-pandemia (dados de 2024; confirme os números com a Tokyo Shoko Research).12

A COVID como acelerador, não como causa única​

A crise da COVID acelerou uma transformação que já vinha se desenhando em torno da valorização do tempo livre, do orçamento pessoal e da saúde. A 8ª Pesquisa sobre a Vida Profissional do Instituto Japonês de Política Trabalhista e Formação (JILPT), realizada entre setembro e outubro de 2021 com 2.388 respondentes, apontou que 73,4% dos trabalhadores esperavam mudanças substanciais no ambiente de trabalho no pós-pandemia (dados de 2021).5 Especialistas atribuem a não recuperação dessas festas à diversificação dos modelos de trabalho e a uma separação mais nítida entre vida pessoal e profissional, e não apenas a receios infecciosos.1

A preocupação com o bem-estar físico exerce pressão contínua em todas as faixas etárias. O MHLW publicou suas primeiras diretrizes sobre riscos do álcool à saúde em fevereiro de 2024, alertando que o consumo diário de 20 gramas de álcool (cerca de uma lata de cerveja de 500 ml) já eleva os riscos de câncer colorretal (dados de 2024).1 A direção geral das políticas públicas converge claramente para o desestímulo ao consumo excessivo.

Participação dos jovens e orçamentos corporativos​

O consumo nacional de bebidas alcoólicas per capita no Japão foi de 75,4 litros no ano fiscal de 2022, uma queda de 25% em relação aos níveis de 30 anos antes (dados do FY2022).1 Trabalhadores que rejeitam o nominication costumam declarar que não conseguem relaxar perto de colegas de trabalho ou que a noite soa como uma extensão não remunerada do expediente.1

O panorama geracional, no entanto, é mais nuançado do que os estereótipos sugerem. Uma pesquisa de 2024 da Job Soken revelou que 68,8% dos trabalhadores na faixa dos vinte anos tinham interesse em ir à festa de fim de ano, contra 51,9% na faixa dos quarenta e 40,3% na dos cinquenta anos (dados de 2024).1 Um levantamento de 2023 da Daikokuya apontou na mesma direção: 46% dos profissionais na faixa dos vinte anos e 44% na dos trinta disseram gostar de beber com colegas de trabalho, em comparação a 37,6% e 27,6% entre os de quarenta e cinquenta anos (dados de 2023).1 Um compilado do setor estima que as empresas que ainda mantêm algum nomikai giravam em torno de 60% em 2025, contra cerca de 75% em 2017 (estimativa de 2025).3

O aspecto financeiro reforça o distanciamento. As empresas subsidiam bem menos eventos do que no passado, e os cortes de verba de representação fizeram com que várias comemorações oficiais passassem a ser custeadas pelos próprios empregados.1 Os respondentes do estudo da Daikokuya relataram uma média de 17 eventos de bebida corporativos por ano a um custo médio de 4.237 ienes cada, somando cerca de 6.002 ienes por mês (dados de 2023).1

ItemValorEm vigor emObservações
Nomikai padrão em izakaya, por pessoa3.000 a 5.000 ienes06/20262O organizador arrecada valor fixo, geralmente em dinheiro
Conta no centro de Tóquio (comida + 3 a 4 bebidas)4.000 a 8.000 ienes06/20262Faixa mais alta abrange celebrações de fim de ano
Gasto médio por evento corporativo4.237 ienes20231Média apurada na pesquisa Daikokuya
Couvert obrigatório de entrada (otoshi), por pessoa300 a 500 ienes06/20262Pequena porção servida como taxa de mesa

Os valores desta tabela variam entre médias de pesquisas de 2023 e faixas de mercado vigentes em junho de 2026; confirme os números com os estabelecimentos ao planejar saídas coletivas.12

Onde os nomikai ainda resistem​

O declínio é evidente, mas existem áreas onde o ritual se preserva com vigor. É preciso analisar os dois lados: a maioria das empresas realiza menos encontros do que antes, ao mesmo tempo em que certos setores ainda consideram a presença uma rotina esperada.

Setores e perfis de empresas​

Os nomikai mantêm-se mais ativos em departamentos comerciais e de vendas, no setor de construção civil, em empresas tradicionais e em equipes onde o convívio noturno sempre fez parte do alinhamento operacional. Embora as estatísticas nacionais não apresentem detalhes por setor específico, esse comportamento é amplamente reconhecido no meio corporativo. O interesse das lideranças também persiste: cerca de 60% das companhias relatam dificuldades na comunicação interna, e a alternativa mais adotada para contornar o problema continua sendo promover ou financiar encontros gastronômicos coletivos (dados de 2025; confirme com o HR Research Institute).1

Como funcionam os encontros atuais​

O calendário que sobreviveu concentra-se no bonenkai em dezembro, no shinnenkai em janeiro, no kangeikai de boas-vindas, no sobetsukai de despedida e no encerramento de grandes projetos.23 A rodada principal dura entre 90 e 120 minutos antes de o grupo se dispersar ou seguir para a nijikai.2 Dispensar a segunda rodada (nijikai) é socialmente aceito sem constrangimentos desde que você se desculpe educadamente.2

O formato também se modernizou. Cervejas sem álcool, refrigerantes, chás e coquetéis não alcoólicos viraram opções padrão, e bares do conceito "smart drinking" oferecem opções com 0%, 0,5% e 3% de teor alcoólico para acomodar quem não bebe mas deseja participar do momento social.12

Peça chá à vontade e mantenha o copo pela metade

Você pode participar do kanpai com chá de oolong ou ginger ale e manter o copo meio cheio para sinalizar que não precisa de reposição imediata. O que importa para o grupo é a sua presença e a atenção em servir os colegas, não a quantidade de álcool que você ingere.23

Como lidar com os convites​

O comparecimento é formalmente voluntário na quase totalidade das empresas contemporâneas, mas recusas sistemáticas e contínuas podem impactar a proximidade no ambiente de trabalho. A orientação prática mais recomendada é: participe de modo seletivo, recuse com simpatia e retire-se mais cedo quando necessário.2

Quando a presença é mais valorizada​

Festas de boas-vindas organizadas em sua homenagem, festas de despedida de membros da equipe e a comemoração oficial de fim de ano são as ocasiões em que a ausência é mais sentida.23 Faltar à sua própria festa de boas-vindas soa indelicado; trate esse evento específico como praticamente mandatório.2 Comparecer de vez em quando a outros encontros demonstra colaboração, ao passo que nunca ir a nenhum pode deixá-lo fora do fluxo informal de informações.2

O impacto de recusar convites com frequência varia com o perfil da empresa: costuma ser irrelevante em organizações jovens e modernas, mas pode afetar a percepção de entrosamento em companhias tradicionais. Avalie o perfil do seu local de trabalho antes de adotar uma postura de recusa absoluta.

Como recusar com polidez​

Agradeça sinceramente ao organizador e apresente uma justificativa breve e plausível — como um compromisso assumido anteriormente, tarefas familiares ou a necessidade de acordar muito cedo no dia seguinte —, acrescentando que espera participar na próxima oportunidade.2 Se quiser ir embora antes do término, avise o organizador e os colegas mais velhos mais próximos com a expressão お先に失礼します (osaki ni shitsurei shimasu, "peço licença para me retirar primeiro") e despeça-se discretamente após o fim da primeira rodada.2

Pressão reiterada para comparecer ou beber é sinal de assédio

Críticas por faltar a uma festa ou por não servir bebidas alcoólicas aos colegas são vistas como assédio pela maioria dos trabalhadores, com uma pesquisa de 2023 do Persol Research Institute apontando que quase 80% das pessoas rejeitam essa coerção (dados de 2023; confirme com o Persol Research Institute).12 A regulamentação do MHLW contra assédio moral (power harassment) enquadra condutas amparadas em relações de superioridade que extrapolem o escopo razoável das funções e prejudiquem o ambiente de trabalho, englobando também encontros fora do expediente que funcionem como extensão das atividades laborais.6 O dever patronal de prevenção desse tipo de assédio aplica-se a todas as empresas sem exceção desde abril de 2022.7 Estudos do JILPT citam a coação para o consumo de álcool sobre funcionários com baixa tolerância como conduta ilícita sob esse regime legal.7

Alternativas que substituem os nomikai​

A função social dessas reuniões está migrando para novos formatos, e não desaparecendo. A construção de confiança e a troca de conhecimentos têm se transferido gradualmente para interações diurnas sóbrias.3

Cafés e almoços de equipe​

Os substitutos mais imediatos são formatos curtos durante o dia: cafés rápidos, almoços coletivos, encontros em restaurantes familiares e refeições que terminam cedo.23 Esses modelos acolhem pessoas que não consomem álcool, profissionais com filhos e colaboradores com rotinas restritas de horários sem exigir noites em claro.2

Atividades de integração durante o dia​

Diversas empresas promovem almoços temáticos, boliche, atividades esportivas e jantares compactos que se encerram pontualmente por volta das 21h como alternativas inclusivas.3 Equipes que adotaram o teletrabalho experimentaram encontros virtuais na tela; após a pandemia, a tendência consolidada tem sido tratar os temas operacionais em canais formais durante o expediente e manter encontros sociais estritamente opcionais.23

Vale a pena saber​

Não é necessário consumir bebidas alcoólicas para participar​

Apenas o brinde coletivo inicial (kanpai) é ritualmente indispensável, e o seu copo pode conter chá, água com gás ou suco. Erga o copo, sirva bebidas para os demais e envolva-se nas conversas. Os colegas avaliam a sua presença, respeito e interação interpessoal, e não o teor etílico do que você bebe.23

Pressionar colegas a irem a festas ou criticá-los por não beberem já foi aceito no passado como reforço de espírito de equipe. Hoje, essa conduta encaixa-se na definição de power harassment do MHLW e viola o dever de prevenção imposto a todas as empresas desde abril de 2022.67 O índice de rejeição de quase 80% registrado pelo instituto Persol atesta a consolidação dessa nova mentalidade no Japão (dados de 2023).12 As expressões correntes para essas práticas abusivas são アルハラ (aru-hara, "assédio por imposição de álcool") e ノミハラ (nomi-hara, "assédio moral relacionado a convites e presença em bebedeiras").23

Os custos geralmente são divididos e podem pesar no bolso​

O kanji geralmente arrecada uma quantia fixa antes ou durante o evento, e eventuais sobras podem ajudar a custear o local seguinte.2 Encontros normais custam entre 3.000 e 5.000 ienes por pessoa, enquanto jantares em bairros centrais de Tóquio oscilam entre 4.000 e 8.000 ienes mais a taxa de mesa (otoshi) de 300 a 500 ienes (em 06/2026).2 Considerando a média do estudo Daikokuya de 4.237 ienes por evento e 17 encontros anuais, o desembolso pode atingir cerca de 6.002 ienes por mês (dados de 2023).1 Informe-se previamente sobre o valor estimado com o organizador antes de confirmar presença com frequência.

Veja também​

References​

Footnotes​

  1. Nippon.com. "Nominication: Japan's Changing Culture of Company Drinking." 2025-06-20. https://www.nippon.com/en/japan-topics/b11403/ ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18 ↩19 ↩20 ↩21 ↩22 ↩23 ↩24 ↩25

  2. MailMate. "Nomikai in Japan Explained: A Simple Guide." Updated 2026-06-18. https://mailmate.jp/blog/nomikai ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18 ↩19 ↩20 ↩21 ↩22 ↩23 ↩24 ↩25 ↩26 ↩27 ↩28 ↩29 ↩30 ↩31 ↩32 ↩33 ↩34 ↩35 ↩36 ↩37 ↩38

  3. Japan Living Life. "Nomikai Guide: Japan Work Drinking Culture for Foreigners." Published 2026-03-04, updated 2026-09-05. https://japanlivinglife.com/articles/nomikai-work-drinking-japan-guide ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14

  4. U.S. International Trade Administration. "Japan - Business Travel." Updated 2025-11-18. https://www.trade.gov/country-commercial-guides/japan-business-travel ↩

  5. The Japan Institute for Labour Policy and Training (JILPT). Domestic labor info 25-06, "8th Survey on Working Life (2021)." https://www.jil.go.jp/kokunai/reports/report010.html ↩

  6. Ministry of Health, Labour and Welfare (MHLW). "What is power harassment in the workplace." Akarui Shokuba Oendan, foreign-workers English page. https://no-harassment.mhlw.go.jp/foreign_workers_en/1power ↩ ↩2

  7. The Japan Institute for Labour Policy and Training (JILPT). "The Law to Prevent Power Harassment in Japan." Japan Labor Issues. https://www.jil.go.jp/english/jli/documents/2021/028-04.pdf ↩ ↩2 ↩3