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Onde os estrangeiros vivem no Japão: dados do censo por cidade
A distribuição de estrangeiros no Japão é altamente desigual: apenas cinco províncias, das quarenta e sete existentes, concentram mais da metade de toda a população estrangeira do país.1 Para quem planeja se mudar ou para o recém-chegado que precisa escolher sua primeira cidade, esse padrão de concentração — e os dados por trás dele — determina onde é mais fácil encontrar redes comunitárias de apoio, suporte linguístico e oportunidades de trabalho.
Procedimentos, taxas e exigências podem sofrer alterações. Confirme as estatísticas atuais no e-Stat, o portal estatístico oficial do Departamento de Estatísticas do Japão.
Visão geral
Este artigo fundamenta-se no Censo Demográfico Nacional do Japão (国勢調査, Kokusei Chōsa), o levantamento quinquenal do governo que contabiliza todos os residentes habituais no país, tanto japoneses quanto cidadãos estrangeiros.23 O ciclo mais recente com detalhamento completo por nacionalidade, província e município é o de 2020; o censo de 2025 foi realizado, mas, até o momento da redação deste texto, apenas dados preliminares de população total e domicílios foram divulgados, sem o detalhamento por nacionalidade (dados de julho de 2026; confirme os dados atualizados no e-Stat, portal oficial de estatísticas do Departamento de Estatísticas do Japão).3
Os dados a seguir foram extraídos da série de tabelas "Resultados Principais por Província e Município" (都道府県・市区町村別の主な結果), especificamente da tabela 44-1, cruzados com os relatórios analíticos publicados pelo próprio Departamento de Estatísticas para cada ciclo.1456 O estudo responde a três perguntas centrais: quais províncias e municípios concentram as maiores populações estrangeiras, quais fatores explicam essa distribuição e se o padrão tem se intensificado ou se dispersado desde 2000.
Leitura dos dados: censo vs. estatísticas de registros administrativos
O Japão mantém, na verdade, três sistemas governamentais distintos que produzem dados sobre "quantos estrangeiros vivem aqui", e não apenas dois. A maioria dos artigos, rankings e publicações na internet utiliza um desses sistemas sem especificar qual, o que é a principal razão pela qual os números deste artigo podem divergir de estatísticas vistas em outras fontes.
| Termo em japonês | Romaji | Tradução / Descrição | Elaborado por | Periodicidade |
|---|---|---|---|---|
| 国勢調査 | Kokusei Chōsa | Censo Demográfico Nacional | Departamento de Estatísticas (総務省統計局) | A cada 5 anos |
| 在留外国人統計 | Zairyū Gaikokujin Tōkei | Estatísticas de residentes estrangeiros (registro de imigração) | Agência de Serviços de Imigração (出入国在留管理庁) | Trimestral |
| 住民基本台帳 | Jūmin Kihon Daichō | Cadastro Básico de Residentes (Jūki) | Prefeituras municipais (cidades, bairros e vilas) | Contínua (tempo quase real) |
O censo contabiliza todas as pessoas no seu local de residência habitual (常住, jōjū) em uma data de corte fixa, 1º de outubro, definido como residir ou ter previsão de residir em um domicílio por três meses ou mais. Diplomatas, militares estrangeiros e suas respectivas famílias são excluídos por completo; estudantes são recenseados no endereço da sua acomodação escolar/universitária, e não no endereço do país de origem (dados de julho de 2026; confirme os termos atuais no glossário estatístico do e-Stat).2
O registro de imigração contabiliza dois grupos: residentes de médio a longo prazo (中長期在留者, autorizados para estadas superiores a três meses) e residentes permanentes especiais (特別永住者, em sua maioria residentes históricos coreanos e chineses Zainichi de status pré-guerra). Visitantes de curta duração e diplomatas são excluídos desse cômputo principal, embora a Agência de Serviços de Imigração (ISA) publique trimestralmente um total mais abrangente que os inclui (dados de julho de 2026).78 As estatísticas do registro são compiladas com base no local de residência vinculado ao Zairyu Card, que pode divergir do endereço registrado no Cadastro Básico de Residentes.7
Os residentes estrangeiros foram integrados ao Cadastro Básico de Residentes em 09/07/2012, substituindo o antigo regime da Lei de Registro de Estrangeiros (Gaikokujin Tōroku).9 Ele é atualizado em tempo quase real por cada prefeitura e é a fonte da maioria dos dados citados na imprensa local sobre "a população estrangeira atual da cidade", e não o censo.
Não existem números do censo para 2024 ou 2025 até o momento, pois o levantamento ocorre apenas em anos terminados em 0 ou 5 e a discriminação por nacionalidades de 2025 ainda não foi publicada. Qualquer ranking do ano corrente visto pelo leitor é quase certamente proveniente dos registros trimestrais da imigração ou das atualizações do cadastro municipal (jūki).3
Os sistemas produzem totais consideravelmente diferentes desde que coexistem. No ano 2000, a população estrangeira reportada pelo censo foi de 1.310.545 pessoas, em comparação a 1.686.444 registradas pelo sistema de imigração (então ainda sob a Lei de Registro de Estrangeiros), gerando uma discrepância de 375.899 pessoas (dados de 2000).10 Essa diferença demonstra que as duas metodologias não são intercambiáveis, e isso não é um fenômeno recente.
Há uma terceira particularidade, mais sutil, que vale a pena destacar antes da primeira tabela: mesmo no censo de 2020 isoladamente, existem dois totais oficiais diferentes para o mesmo dado nacional. O Departamento de Estatísticas publica tanto uma contagem bruta tabulada (原数値, gensūchi), que mantém respostas com nacionalidade "não declarada" em uma coluna própria, quanto uma tabela de referência de "valores com imputação de desconhecidos" (不詳補完値, fushō hokan-chi), que distribui estatisticamente as respostas não declaradas entre as categorias conhecidas (dados de outubro de 2020).11 A seção seguinte explica o que isso representa para os números analisados.
O padrão de concentração
Por província
No censo de 2020, as cinco principais províncias em população estrangeira foram, em ordem: Tóquio, Aichi, Osaka, Kanagawa e Saitama. Juntas, elas abrigavam 53,9% de todos os estrangeiros residentes no Japão (dados de outubro de 2020; confirme os números atualizados no e-Stat, portal oficial de estatísticas do Departamento de Estatísticas do Japão).1
A tabela abaixo adota os números do relatório geral principal do Departamento de Estatísticas, que são valores com dados imputados (不詳補完値); o próprio relatório rotula a tabela dessa maneira em nota de rodapé. O mesmo documento informa separadamente o total nacional antes da imputação (原数値, valor bruto): 2.402.460, contra 2.747.137 imputados, gerando uma variação de aproximadamente 14%.
Um agregador secundário que compila dados provinciais da tabela bruta 44-1 reporta o total nacional de 2.402.460 (idêntico ao valor bruto oficial do órgão), com Tóquio em 483.372, Aichi com 231.369, Osaka com 208.681, Kanagawa com 195.535 e Saitama com 161.439 (dados de outubro de 2020).112 A ordem de classificação das províncias permanece exatamente a mesma em ambas as abordagens.
Este artigo prioriza os números oficiais principais do órgão (com imputação), por serem os dados destacados institucionalmente pelo Departamento de Estatísticas. Ambos os números são oficiais, variando apenas na decisão metodológica de manter as nacionalidades não declaradas isoladas ou distribuí-las estatisticamente — justamente a distinção conceitual que este texto visa esclarecer.
Censo de 2020: as 5 principais províncias
| Posição | Província | População estrangeira | Participação na população estrangeira nacional | Participação na população total da província |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Tóquio | 564.000 | 20,5% | 4,0% |
| 2 | Aichi | 259.000 | 9,4% | 3,4% |
| 3 | Osaka | 242.000 | 8,8% | 2,7% |
| 4 | Kanagawa | 231.000 | 8,4% | 2,5% |
| 5 | Saitama | 186.000 | 6,8% | 2,5% |
Os números correspondem aos dados principais divulgados pelo Departamento de Estatísticas (baseados em valores imputados - 不詳補完値) do censo de 2020; consulte a nota informativa acima para entender por que dados agregados brutos apresentam valores menores.112
A população estrangeira total apurada no Japão em 2020 foi de 2.747.000 pessoas, um crescimento de 43,6% em relação a 2015, contra um declínio de 0,7% na população total do país no mesmo período (dados de outubro de 2020).1 Três das cinco províncias líderes — Tóquio, Kanagawa e Saitama — integram a Grande Área Metropolitana de Tóquio, consolidando essa macrorregião como um único grande polo concentrador, e não como mercados isolados.
A inversão histórica entre Aichi e Osaka
A divergência entre fontes sobre a ordem de Aichi e Osaka reflete uma inversão histórica real, e não uma confusão gerada por dados do censo misturados a estatísticas mais recentes da imigração. Osaka liderava com pequena margem em 2005 e 2010; Aichi ultrapassou Osaka em 2015 e manteve a segunda colocação em 2020.
| Ano do censo | Osaka | Aichi | Província à frente |
|---|---|---|---|
| 2005 | 175.766 | 150.115 | Osaka |
| 2010 | 164.704 | 160.228 | Osaka (diferença reduzida) |
| 2015 | 150.890 | 166.150 | Aichi (inversão) |
| 2020 | 242.000 | 259.000 | Aichi |
Cada número refere-se ao seu respectivo ciclo censitário; a linha de 2020 utiliza os dados principais do órgão, em consonância com a tabela anterior.4513
Por município
A série de tabelas do censo permite análise no nível municipal, e não apenas provincial: a tabela 44-1 é estruturada em "nacional, província, município".6 Essa granularidade permite identificar cidades industriais de pequeno porte com proporções extraordinariamente altas de residentes estrangeiros.
O município de Oizumi (大泉町, Ōizumi-machi), em Gunma, uma pequena cidade industrial com sólida base manufatureira, é um exemplo emblemático e comprovado pelo censo de alta densidade de estrangeiros. Um relatório estatístico do governo provincial de Gunma aponta que a proporção de residentes estrangeiros em Oizumi atingiu 17,6% no censo de 2020, o maior índice entre todos os municípios da província, muito à frente do segundo colocado, o vilarejo de Showa (Shōwa-mura), com 6,3% (dados de outubro de 2020).14 Em Oizumi, cidadãos brasileiros compõem a maior comunidade isolada (4.248 pessoas, ou 57,5% dos estrangeiros locais), seguidos por peruanos (952 pessoas, 12,9%) e nepaleses (5,1%) (dados de outubro de 2020).1415
A proporção de 17,6% refere-se à tabulação bruta; a análise do próprio Departamento de Estatísticas sobre o censo de 2020 calculou a participação estrangeira com valores imputados em Oizumi em 18,4%, ante 14,7% em 2015.15 Essa diferença entre 17,6% e 18,4% reflete a mesma metodologia de dados brutos versus imputados tratada anteriormente, agora aplicada à esfera municipal.
Um jornal local noticiou que a proporção de residentes estrangeiros em Oizumi chegou a aproximadamente 20,02% (8.306 de 41.495 moradores) no final de novembro de 2023, marco divulgado em janeiro de 2024 como a primeira vez em que a cidade superou os 20%.16 A notícia não especifica se a apuração veio do cadastro municipal (jūki) ou do registro da imigração, e o dado não deve ser interpretado como atualização censitária dos 17,6% (ou 18,4%) mencionados acima: trata-se de mensurações diferentes em períodos distintos, o exato descompasso metodológico detalhado na seção "Leitura dos dados".
Contagens reduzidas de determinada nacionalidade em um município específico estão sujeitas à convenção oficial de supressão estatística de pequenas células: quando um valor é considerado "notavelmente pequeno", o Departamento de Estatísticas substitui o número publicado pela letra "x" para proteger a privacidade dos moradores.17 O limiar numérico exato para a tabela 44-1 não é divulgado abertamente; a seção "Dados detalhados por nacionalidade existem no nível municipal, com supressão de pequenas contagens" em Vale a pena saber esclarece o impacto dessa regra na prática.
O que impulsiona a concentração
Mercado de trabalho
Os trabalhadores estrangeiros também não estão distribuídos de maneira uniforme entre os setores econômicos, e a composição setorial diverge nitidamente entre Tóquio e Aichi, acompanhando a concentração populacional observada. Em escala nacional, a indústria de transformação (manufatura) é o setor que mais emprega trabalhadores estrangeiros: 635.075 pessoas, ou 24,7% do total de 2.571.037 trabalhadores estrangeiros constantes do registro de notificações empregatícias (dados de 31/10/2025; confirme os dados atualizados com os relatórios das superintendências regionais do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar - MHLW).18
A mão de obra estrangeira em Tóquio distancia-se do setor manufatureiro e concentra-se fortemente no setor corporativo, tecnológico e de serviços. Dos 652.251 trabalhadores estrangeiros em Tóquio, apenas 35.821 (5,5%) atuam na manufatura — proporção inferior a um quarto da taxa nacional de 24,7%; o setor de informação e comunicações (liderado por TI) responde por 77.924 profissionais (11,9%), cerca de três vezes a média nacional de 3,8%. O comércio atacadista e varejista (108.878 pessoas, 16,7%) e o setor de hotelaria e alimentação (131.080 pessoas, 20,1%, contra 12,4% no país) também possuem representação expressiva na capital (dados de 31/10/2025).18
Em contrapartida, o perfil de Aichi pende radicalmente para a manufatura. Dos 249.076 trabalhadores estrangeiros em Aichi, 96.288 (38,7%) trabalham na indústria fabril — taxa bem superior aos 24,7% nacionais —, sendo o maior setor empregador em todas as subdivisões da província: Nagoya, Owari, West Mikawa (Nishi-Mikawa) e East Mikawa (Higashi-Mikawa) (dados de 31/10/2025).18
Dentro da manufatura em Aichi, a fabricação de equipamentos de transporte — que engloba montadoras automobilísticas e fornecedores de autopeças — é o principal subsetor: emprega 32.205 pessoas, correspondendo a 12,9% de todos os trabalhadores estrangeiros da província (e não apenas dos fabris). Esse índice é ainda mais marcante na microrregião de West Mikawa, onde fica a cidade de Toyota: a indústria fabril local emprega 37.853 pessoas, o equivalente a 52,2% de toda a mão de obra estrangeira daquela região (dados de 31/10/2025).18
Uma análise independente do mercado de trabalho sobre a mesma base de dados governamental sintetiza esse cenário: há menos estrangeiros na manufatura e mais em TI, comércio varejista/atacadista e hotelaria/alimentação em Tóquio do que nas demais províncias; em contrapartida, o emprego nos ramos de materiais básicos, maquinário industrial e componentes elétricos/eletrônicos é "excepcionalmente alto" em Aichi e Osaka.19
As forças de trabalho estrangeiras de Tóquio e Aichi concentram-se em indústrias muito distintas, mas isso é uma correlação estatística, não uma causa demonstrada. Nenhuma das fontes primárias consultadas traça um nexo causal irrefutável entre determinada indústria e o local de moradia escolhido; a constatação rigorosa é que a estrutura econômica espelha o padrão demográfico, e não que ela o explique inteiramente.
Comunidades estabelecidas e migração em cadeia
O marco histórico costumeiramente citado como motor da presença de brasileiros e descendentes de japoneses (nikkeis) em Aichi — e especificamente na região de Toyota — é a revisão da Lei de Controle de Imigração e Reconhecimento de Refugiados (入管法, Nyūkan-hō) de 1990. Em vigor a partir de junho de 1990, ela instituiu o status de residência 定住者 (teijūsha, "residente de longo prazo"), permitindo que nikkeis de até terceira geração (sanseis) e seus cônjuges residam e trabalhem no Japão sem as restrições ocupacionais aplicadas a outros tipos de visto.20
A cidade de Hamamatsu, em Shizuoka, declara ter a maior comunidade de cidadãos brasileiros entre todos os municípios do Japão: 9.462 brasileiros entre os 24.932 residentes estrangeiros locais, cerca de 38% (dados de 01/04/2022).21 O registro da própria prefeitura vincula esse fenômeno ao mesmo mecanismo descrito em Aichi: a escassez de mão de obra no Japão no fim dos anos 1980 combinada à instabilidade econômica no Brasil impulsionou a migração laboral nikkei (出稼ぎ, dekasegi), e a lei de 1990 abriu as portas legais para que nisseis, sanseis e suas famílias atuassem no mercado de trabalho sem restrição de ramo.21
A população brasileira registrada no Japão expandiu-se ao longo da década de 1990 e alcançou seu ápice no final de 2007, sofrendo forte queda com a crise financeira global de 2008. No encerramento de 2011, somava 210.032 pessoas — uma redução de 106.935 indivíduos (33,7%) em relação ao pico de 2007.22
Em 2001, Hamamatsu propôs e liderou a fundação da Conferência de Cidades com Concentração de Residentes Estrangeiros (外国人集住都市会議, Gaikokujin Shūjū Toshi Kaigi), uma rede de cooperação municipal criada para compartilhar experiências e dialogar com o governo central sobre políticas públicas para populações estrangeiras. A justificativa institucional de Hamamatsu reflete a dinâmica observada além de Aichi: a chegada em massa de nikkeis sul-americanos concentrou-se nos polos industriais fabris, especialmente no polo automotivo.21
O município de Oizumi, em Gunma, citado anteriormente por sua expressiva participação no censo de 2020, enquadra-se no mesmo modelo. O Departamento de Estatísticas atribui a expressiva presença brasileira em Oizumi à proximidade com fábricas do setor automotivo e assinala que a imigração brasileira no país cresceu "especialmente a partir da década de 1990", associando a composição demográfica da cidade à vigência da legislação da época.15
O mecanismo que conecta laços comunitários a postos de trabalho é evidenciado em um estudo acadêmico com revisão por pares sobre moradores brasileiros nikkeis no conjunto habitacional 保見団地 (Homi danchi), em Toyota. Com o aumento do tempo de residência, formaram-se redes de apoio centradas em outros brasileiros, e esses laços de parentesco e amizade funcionaram como os principais canais para obtenção de trabalho regular em fornecedores ligados ao grupo Toyota.23
O estudo identificou, contudo, limitações estruturais nesse modelo. Apesar do acesso facilitado a empregos regulares por meio das redes sociais, os trabalhadores continuaram enfrentando barreiras linguísticas, estagnação na progressão profissional e discriminação no ambiente de trabalho, permanecendo no que a pesquisa define como uma posição ocupacional semiperiférica; a migração em cadeia facilitou o ingresso no mercado de trabalho, mas não eliminou os entraves enfrentados após a contratação.23
Padrões históricos de assentamento
A comunidade de residentes coreanos em Osaka, concentrada historicamente no distrito de Ikuno (生野区, Ikuno-ku) — no que era antigamente o bairro de Ikaino (猪飼野) —, antecede os padrões censitários atuais em cerca de um século. A fixação começou no final da Era Meiji e início da Era Taisho, expandindo-se com os operários contratados para as obras de retificação do rio Hirano, executadas entre 1919 e 1939.24
A presença dessa comunidade histórica consolidada é um dos motivos pelos quais imigrantes coreanos e do leste asiático em geral continuaram a se estabelecer em Osaka e na região de Kansai, mesmo com a recente diversificação na composição dos estrangeiros no Japão — período no qual a proporção de coreanos e chineses no total nacional recuou, enquanto a presença de vietnamitas cresceu expressivamente entre 2005 e 2020.15
Tendência ao longo de cinco ciclos do censo (2000–2020)
A população estrangeira recenseada no Japão aumentou em todos os ciclos publicados desde 2000, com forte aceleração no intervalo mais recente, de 2015 a 2020.
População nacional de estrangeiros por ciclo do censo
| Ano do censo | Total nacional (estrangeiros) | Participação das 5 principais províncias |
|---|---|---|
| 2000 | aprox. 1.310.545 | 51,6% |
| 2005 | 1.555.505 | 49,9% |
| 2010 | 1.648.037 | 52,1% |
| 2015 | 1.752.368 | 53,9% |
| 2020 | 2.747.000 (oficial principal, imputado) / 2.402.460 (tabela bruta) | 53,9% |
Cada total corresponde ao seu respectivo ciclo censitário (dados de 2000 a 2020); confirme os dados no e-Stat, portal estatístico oficial do Departamento de Estatísticas do Japão. A linha de 2020 apresenta novamente ambos os totais citados, em virtude da distinção entre dados brutos e imputados.10145132512
A concentração nas cinco principais províncias registrou uma leve queda entre 2000 e 2005, subiu de forma contínua entre 2005 e 2015 e manteve-se estável em 53,9% em 2020 (dados de 2000 a 2020 por ciclo).101451325 Em conjunto, esses números indicam uma leve intensificação da concentração geográfica desde meados dos anos 2000, e não uma dispersão pelo território nacional.
Saitama nem sempre figurou na quinta posição: em 2005, a província de Hyogo (85.943 estrangeiros) ocupava o quinto lugar, sendo superada por Saitama entre os ciclos de 2005 e 2010 (dados de 2005 vs. 2010).513
Apenas o número de Tóquio no ano 2000 (213.000 pessoas, fatia de 16,3%) e o ranking completo das cinco primeiras em 2005 foram verificados em nível provincial nesta pesquisa. Os dados individuais das demais províncias no ano 2000 não foram incluídos aqui por indisponibilidade de fonte primária em formato legível de dados (apenas em imagem digitalizada); somente o total nacional e o dado de Tóquio do ano 2000 foram adotados com precisão comprovada.1025
Vale a pena saber
Os resultados do censo de 2025 ainda não foram publicados
O Censo de 2025 (令和7年国勢調査) foi realizado com data de referência em 01/10/2025. Até o momento em que este guia foi escrito, apenas os números preliminares de população total e domicílios tinham data confirmada de divulgação, em 29/05/2026 (dados de julho de 2026; confirme no portal e-Stat do Departamento de Estatísticas).3 Essa divulgação inicial traz apenas dados demográficos gerais, sem abertura por nacionalidade, de modo que ainda não há tabela censitária atualizada por província para os anos mais recentes.
O cronograma oficial do Departamento de Estatísticas prevê a divulgação da tabulação básica de população (人口等基本集計) "até setembro de 2026" (令和8年9月まで). Esse lote consolidará população, domicílios, habitação e o detalhamento por nacionalidade (o equivalente de 2025 à tabela 44-1) em um único relatório conjunto (dados de julho de 2026).3 Para fins de comparação, a tabela correspondente do censo de 2020 foi publicada em 30/11/2021, cerca de 13 a 14 meses após a data censitária.
Dados do censo e rankings de "estrangeiros no Japão" vistos em outros lugares podem divergir
A causa mais frequente pela qual você pode encontrar números diferentes para a "população estrangeira por província" em outras publicações é o uso de estatísticas do registro de imigração ou do cadastro municipal (jūki) sem o devido esclarecimento metodológico. Os números baseados em registros administrativos são geralmente superiores aos do censo no mesmo período, em parte porque o censo sofre perdas por falta de resposta aos questionários e em parte pelas diferenças de escopo e datas de apuração.710
Além disso, mesmo no censo de 2020, como vimos, existem dois totais oficiais conforme as respostas com nacionalidade não declarada sejam mantidas em dados brutos ou distribuídas por imputação estatística — uma divergência sutil que a maioria dos rankings populares omite (dados de 2020).11
O vilarejo de Shimukappu (占冠村, Shimukappu-mura), em Hokkaido, ilustra com clareza como números amplamente divulgados muitas vezes não pertencem ao censo. A taxa frequentemente citada de "36,6% de estrangeiros" refere-se a dados de janeiro de 2025 do registro municipal (jūki), noticiada por um jornal regional em matéria sobre 27 municípios do país cuja fatia de estrangeiros superou 10% devido à demanda turística das estações de esqui.26 No censo de 2020, a proporção apurada era bem menor: 11,1% (ante 5,0% em 2015), de acordo com nota técnica do Departamento de Estatísticas.15 Os dois números retratam a mesma localidade usando bases metodológicas distintas com quatro anos de intervalo, e não uma mesma série temporal.
Áreas com baixa população estrangeira não são necessariamente escolhas ruins
Uma província ou município com pequena população estrangeira costuma oferecer menos serviços voltados à comunidade internacional e atendimento escasso em línguas estrangeiras. Isso não significa, de forma alguma, que seja um local ruim para morar.
A facilidade de acesso a uma comunidade internacional é um fator a ser equilibrado com outros aspectos: custo de vida, oportunidades de trabalho, proximidade com familiares ou simplesmente a preferência por um estilo de vida mais tranquilo. Uma localidade com poucos residentes estrangeiros oferece um tipo diferente de vivência comunitária, e não uma experiência inferior.
Dados detalhados por nacionalidade existem no nível municipal, com supressão de pequenas contagens
É comum imaginar que dados detalhados por nacionalidade específica só existam no nível das províncias. Essa premissa é incorreta: a tabela 44-1 do censo de 2020 discrimina expressamente grupos nacionais — coreanos, chineses, filipinos, tailandeses, indonésios, vietnamitas, indianos, nepaleses, britânicos, norte-americanos, brasileiros, peruanos e uma categoria "Outros" —, cruzados até a esfera municipal.6
A restrição real é a regra de supressão estatística de pequenas contagens, e não uma exclusão deliberada da categoria. Cruzamentos entre municípios e nacionalidades que apresentem contingentes muito reduzidos são mascarados com a letra "x" em vez de um número real — padrão documentado nas pesquisas estatísticas governamentais para evitar a identificação de indivíduos, embora o ponto de corte numérico exato para a tabela 44-1 não seja divulgado.17 Na prática, isso significa que você consegue verificar com precisão quantos residentes vietnamitas ou brasileiros moram em determinada cidade, a menos que o número seja tão baixo a ponto de ter sido ocultado pela regra estatística.
Veja também
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- Bem-vindo ao J-Compass: o guia do residente de longo prazo no Japão
- A estrutura das comunidades de residentes estrangeiros
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